A comunicação corporativa moderna é um ecossistema complexo, e compreender as ferramentas disponíveis é vital para o sucesso de qualquer marca. Muitas vezes confundidas, as relações públicas e a assessoria de imprensa são disciplinas distintas, embora complementares. Mas será que conhece bem as diferenças entre estas duas especialidades de comunicação?

Neste artigo, procuramos explorar essas diferenças, aprofundar as melhores práticas da assessoria de imprensa e demonstrar como integrar estas estratégias para fortalecer a reputação da sua organização.

Relações Públicas vs. Assessoria de Imprensa: A distinção necessária

Para investir corretamente, é fundamental dominar os conceitos, pois, embora ambos trabalhem a comunicação, o seu âmbito de atuação diverge.

As relações públicas (RP) funcionam como a função estratégica macro. O profissional desta área gere a comunicação da organização com a totalidade dos seus públicos-alvo (stakeholders), o que inclui não apenas os meios de comunicação, mas também colaboradores, investidores, comunidade local, governo e fornecedores.

O objetivo central é construir e preservar a reputação institucional num sentido lato.

Por outro lado, a assessoria de imprensa atua como um braço especializado dentro das relações públicas. O seu foco é exclusivo e cirúrgico: a gestão do relacionamento com jornalistas e órgãos de comunicação social. A meta é conquistar presença mediática espontânea, não paga, para ampliar a visibilidade, a notoriedade e a autoridade da marca perante a sociedade.

Portanto, a assessoria de imprensa é uma das ferramentas mais poderosas dentro do “chapéu” estratégico das relações públicas.

Por que motivo o investimento em Assessoria de Imprensa é estratégico?

A comunicação corporativa moderna é um ecossistema complexo, e compreender as ferramentas disponíveis é vital para o sucesso de qualquer marca. Muitas vezes confundidas, as relações públicas e a assessoria de imprensa são disciplinas distintas, embora complementares.

Diferentemente da publicidade tradicional, onde o espaço de comunicação é comprado, a assessoria de imprensa trabalha com a conquista de espaço editorial. Quando uma empresa é citada numa notícia, entrevista ou reportagem de mercado, ganha uma validação de terceiros que o marketing pago não consegue oferecer.

Esta dinâmica gera credibilidade e autoridade. Estar presente em títulos jornalísticos reconhecidos funciona como um selo de confiança, posicionando a marca como referência no setor. Além disso, existe um ganho claro de Custo-Benefício (ROI). Campanhas de assessoria de imprensa bem executadas entregam frequentemente um retorno superior ao da publicidade, uma vez que uma única menção num portal de grande audiência pode gerar mais impacto e conversão do que uma série de anúncios, com um custo operacional significativamente menor.

Outro ponto crucial é o impacto no SEO e na visibilidade a longo prazo. Enquanto um anúncio desaparece quando a verba se esgota, um artigo online tende a permanecer indexado para sempre. Se essa peça incluir um link para o site da empresa (backlink), a autoridade do domínio aumenta perante o Google, melhorando o posicionamento orgânico da marca nas pesquisas.

O âmbito de trabalho: Muito além do Press Release

O trabalho do assessor de imprensa é consultivo e envolve diversas frentes que ligam a organização aos meios. A atividade mais visível é a produção de conteúdo jornalístico, que inclui a elaboração de comunicados de imprensa (press releases), artigos de opinião e sugestões de temas personalizados para cada meio de comunicação social.

No entanto, o sucesso destes materiais depende inteiramente da gestão de relacionamento. Profissionais experientes cultivam o contacto direto e frequente com editores e repórteres, facilitando a inclusão da marca em temas da atualidade. Não se trata de “comprar” favores, mas sim de mediar e facilitar a comunicação entre a marca e os meios de comunicação social.

Além da prospecção, o assessor de imprensa desempenha um papel vital na preparação interna através do Media Training. Este treino intensivo para porta-vozes (executivos e especialistas) visa prepará-los para entrevistas, garantindo que transmitam as mensagens-chave com clareza, evitem rasteiras e mantenham a postura adequada, seja em rádio, televisão ou até podcasts.

Paralelamente, ocorre o trabalho de inteligência com o controlo e clipping. Acompanhar diariamente o que é publicado sobre a empresa e os seus concorrentes mais diretos, permite medir a “temperatura” da exposição da marca, identificar tendências de mercado e antecipar possíveis crises de imagem. Além de facilitar a deteção do timming indicado para promover a presença mediática da empresa.

Integração Digital: Amplificar a notícia

Na era atual, com o forte desenvolvimento da tecnologia, das redes sociais e dos próprios websites; a fronteira entre o offline e o online é inexistente. Uma estratégia de relações públicas eficiente exige a integração total com o marketing digital. Cria-se, assim, um ciclo virtuoso: quando uma notícia é publicada num jornal de prestígio, deve ser imediatamente alavancada nos canais próprios da empresa.

Partilhar essa conquista no LinkedIn, no blogue corporativo ou numa newsletter interna ou para os stakeholders, não apenas aumenta a vida útil da notícia, mas também reforça a prova social perante clientes e parceiros. Além disso, as redes sociais permitem medir o envolvimento e o sentimento do público em relação a essa notícia em tempo real, fornecendo dados valiosos para ajustar a rota da comunicação.

Boas práticas de relacionamento e gestão

Para manter uma assessoria de imprensa eficiente e construir uma imagem sólida, é necessário seguir diretrizes que privilegiem a qualidade da informação e a ética no relacionamento.

Construção de Relacionamento e Personalização

O envio massivo de e-mails genéricos é uma prática obsoleta e prejudicial. A abordagem deve ser segmentada: temas de tecnologia devem seguir apenas para editores de tecnologia. Tratar os jornalistas como parceiros de longo prazo e entender as suas secções e prazos de fecho é fundamental. O timing jornalístico deve ser respeitado, evitando envios em momentos críticos de fecho de edição, a menos que se trate de uma notícia urgente e relevante (hard news).

Conteúdo Relevante e Narrativa (Storytelling)

Os jornalistas procuram histórias que impactem o leitor, e não publicidade disfarçada. Para conseguir colocar um tema na agenda, a empresa deve oferecer dados de mercado, estudos inéditos, tendências de comportamento ou casos de sucesso inspiradores. A marca deve ser o veículo para explicar um fenómeno, e não o foco único da peça. Quanto mais rico e “jornalístico” for o material enviado, maior será a probabilidade de publicação espontânea.

Preparação e Gestão de Crise

A melhor gestão de crise é aquela que é feita antes de o problema surgir. Uma boa assessoria de imprensa mapeia vulnerabilidades, cria manuais de conduta e define um comité de crise antecipadamente. Quando ocorre um incidente, a agilidade e a transparência são inegociáveis. A empresa deve assumir a narrativa rapidamente com notas oficiais claras, evitando o vácuo de informação que alimenta boatos e danos reputacionais irreversíveis.

Monitorização de Resultados (KPIs)

Para provar o valor das ações de relações públicas, é preciso ir além da simples contagem de notícias publicadas. Uma análise moderna deve focar-se na qualidade:

  • Sentimento e Mensagem: A cobertura foi positiva, neutra ou negativa? As mensagens-chave da organização foram transmitidas corretamente?
  • Autoridade e Tráfego: As publicações online geraram links para o site da empresa? Houve um aumento nas pesquisas pelo nome da marca no período da divulgação?
  • Share of Voice: Qual é a quota de visibilidade da sua marca nos meios de comunicação face aos seus principais concorrentes?

Adotar estas métricas transforma a assessoria de imprensa de um centro de custos num parceiro estratégico de negócio, capaz de entregar resultados tangíveis para a organização.

Em última análise, a fronteira entre as relações públicas e a assessoria de imprensa demonstra que a comunicação corporativa de sucesso não se resume à quantidade de exposição, mas à qualidade e à consistência da mensagem. Num mercado saturado de informação, a capacidade de uma organização se posicionar como uma fonte fidedigna e relevante junto dos meios de comunicação é o que a distingue da concorrência. A assessoria de imprensa, quando integrada numa estratégia de RP bem estruturada, deixa de ser um serviço de apoio para se tornar num motor de crescimento e proteção institucional.

Ao adotar as boas práticas aqui exploradas (desde a personalização do contacto com os jornalistas até à utilização de métricas de inteligência de dados), a sua empresa garante mais do que visibilidade: constrói um património reputacional. Este ativo é fundamental não só para atrair novos clientes e talentos, mas também para garantir a resiliência da marca perante eventuais crises. O futuro da comunicação pertence às marcas que compreendem que a confiança não se compra com anúncios, mas conquista-se através de relacionamentos autênticos, transparência e uma narrativa de valor para a sociedade.


Helder Robalo

Sou o Helder Robalo, profissional de Assessoria de Imprensa, com percurso consolidado no Jornalismo e na Comunicação Institucional, iniciei a minha carreira no Diário de Notícias, onde permaneci até 2014. Entretanto enveredei pela área da Assessoria de Imprensa, onde somo já 11 anos de experiência!

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