Num mundo em que a reputação de uma organização pode ser construída ou abalada em segundos, o que faz o assessor de imprensa assume um papel central. Este profissional gere a relação entre entidades e meios de comunicação, traduzindo estratégias institucionais em mensagens claras e credíveis. O seu trabalho garante que a informação é transmitida com rigor, favorecendo a compreensão pública e a confiança. Neste contexto, compreender o que é e, sobretudo, o que faz um assessor de imprensa é fundamental para quem pretende iniciar carreira na área ou contratar um especialista em assessoria de imprensa.

Este artigo analisa as responsabilidades específicas da função, os requisitos de formação, o perfil de competências, as faixas salariais e as oportunidades que a era digital oferece. Ao longo das próximas secções serão apresentados dados, perspectivas críticas e exemplos práticos que permitem uma visão completa e formativa desta profissão em Portugal.

As pesquisas sobre esta profissão revelam dúvidas frequentes: o que faz um assessor de imprensa, quais as tarefas diárias, como se diferenciam do jornalista, que formação é necessária e qual é o salário médio. Muitos leitores procuram ainda informações sobre as tendências digitais que afetam a comunicação corporativa. Neste artigo procuramos responder a essas questões, esclarecer mitos e apresentar contrapontos fundamentados.


O que faz o assessor de imprensa?

Conceito e missão

Um assessor de imprensa é o profissional encarregado de planear e executar a estratégia de comunicação de uma organização com os meios de comunicação social. A sua missão passa por construir relações com jornalistas, garantir que a informação divulgada é credível e salvaguardar a reputação institucional. O Comité das Regiões da União Europeia descreve o press officer como responsável por alcançar a imprensa, organizar conferências e medir o impacto das ações de comunicação. A Universidad Europea reforça que este profissional atua como elo vital entre a organização e os media, criando comunicados, preparando entrevistas e respondendo prontamente às questões dos jornalistas.

Diferenças entre jornalismo e assessoria

Embora ambos trabalhem com informação e comunicação, os papéis divergem. O Estatuto do Jornalista proíbe que jornalistas exerçam funções remuneradas de assessoria de imprensa, marketing ou relações públicas.

Este dispositivo legal visa prevenir conflitos de interesses: o jornalista deve manter independência e espírito crítico, enquanto o assessor defende os interesses da organização. Consequentemente, as duas profissões têm códigos deontológicos distintos e não são intercambiáveis.

História e evolução da assessoria de imprensa

No início do século XX, Ivy Lee, ex‑jornalista norte‑americano, criou uma das primeiras agências de relações públicas. Depois de um acidente ferroviário em 1906, aconselhou a empresa a convidar jornalistas e a emitir um comunicado transparente. Esse episódio é considerado a origem do press release e marcou a transição da propaganda para a informação pública.

Contudo, alguns académicos argumentam que a assessoria de imprensa continuou a favorecer interesses corporativos e a manipular factos. Ao longo das décadas seguintes, a função evoluiu para uma atividade estratégica: hoje, os assessores planeiam campanhas, avaliam métricas, gerem crises e utilizam tecnologias digitais para monitorizar a reputação online.

O que faz o Assessor de Imprensa? Funções principais e responsabilidades

Tarefas institucionais

Os anúncios de recrutamento de órgãos públicos e empresas delineiam tarefas precisas. Na sua maioria, as empresas procuram um especialista que aconselhe a liderança na estratégia de comunicação, contribua para o plano anual, acompanhe agendas e mantenha relações próximas com os Media. Além disso, deve coordenar‑se com outros assessores do sector, promover a imagem da instituição e preparar conteúdos para portais e eventos.

Estas funções mostram que o assessor atua como gestor de reputação e não como mero emissor de comunicados.

Responsabilidades gerais

De forma transversal aos setores, a Universidad Europea enumera quatro responsabilidades centrais: cultivar relações com os jornalistas, redigir press releases e materiais de briefing, organizar eventos e conferências e gerir crises. O press officer do Comité das Regiões é ainda responsável por medir resultados quantitativos e promover o sucesso qualitativo da cobertura mediática.

Em contextos sem fins lucrativos, como no GEOTA, o profissional de assessoria de imprensa deve planear toda a comunicação, adaptar estratégias ao projecto e controlar o orçamento. Estas tarefas evidenciam a necessidade de visão estratégica, planeamento e capacidade de síntese.

Perfil profissional e competências exigidas

Formação e qualificações

A maioria das entidades que recrutam assessores de imprensa exige licenciatura em Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas ou Marketing. Alguns anúncios de recrutamento admitem candidaturas provenientes de outras ciências sociais e até das ciências da natureza, desde que exista experiência comprovada em comunicação. Nos concursos de âmbito internacional, são valorizados o domínio de várias línguas e o conhecimento de contextos institucionais e culturais diversos.

Competências técnicas e comportamentais

Entre as competências valorizadas destacam‑se: domínio das técnicas de comunicação e do panorama mediático; excelente capacidade de redacção e oratória em português e inglês; iniciativa, trabalho em equipa e pensamento analítico; experiência em ferramentas digitais, incluindo gestão de websites e redes sociais; e aptidão para gerir crises com ética e rapidez.

Perceber o Código Deontológico dos jornalistas é essencial, pois impede o exercício simultâneo das duas profissões.

Desafios e oportunidades na era digital

A digitalização transformou a assessoria de imprensa. A Sprinklr prevê que o mercado global de relações públicas poderá atingir 143,19 mil milhões de dólares em 2025, com um crescimento anual de 6,1 %. Entre as tendências identificadas destacam‑se a inteligência artificial para análise de dados e previsão de crises, a hiperpersonalização de mensagens baseada em dados, a gestão de crises em tempo real nas redes sociais e a transparência radical para fortalecer a confiança.

Além disso, os profissionais devem integrar práticas de SEO nos comunicados, otimizar conteúdo para motores de busca e dominar ferramentas de monitorização de sentimentos.

Estas tendências representam oportunidades para expandir competências, mas exigem aprendizagem contínua e adaptação rápida.

Mitos, críticas e contrapontos

Apesar da evolução, persistem mitos. O estudo de Figueiredo e Gonçalves revela que muitos jornalistas associam a assessoria de comunicação à propaganda e consideram que o jornalismo poderia existir sem este apoio. Apenas 23 % admitem uma relação interdependente.

Há quem argumente que a assessoria de imprensa pode favorecer interesses corporativos e, por isso, suscitar dúvidas sobre a confiança pública. Outros sublinham a sua utilidade para contextualizar informações, preparar respostas a crises e fomentar transparência. Uma prática ética situa‑se entre estas perspectivas: contribui para um debate informado quando existe responsabilidade e respeito pela independência editorial.

O que faz o assessor de imprensa assume um papel central num mundo em que a reputação de uma marca pode ser construída ou abalada em segundos.

Como tornar‑se assessor de imprensa

Para seguir esta carreira, convém adoptar um percurso estruturado:

  1. Formação académica: obter licenciatura em Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas ou área afim. Cursos de pós‑graduação em comunicação estratégica ou reputação podem acrescentar valor.
  2. Desenvolver competências: praticar escrita, oratória e análise crítica. Familiarizar‑se com ferramentas digitais, SEO e redes sociais. Cursos de gestão de crises e media training são outras especializações que podem ajudar a completar o perfil.
  3. Construir rede de contactos: estagiar em agências, participar em eventos do sector e manter contacto com jornalistas. Nota fundamental: A credibilidade do profissional (à semelhança do que sucede com uma marca) constrói‑se ao longo do tempo.
  4. Ganhar experiência: começar em funções de apoio, como assistente de comunicação, e evoluir para posições mais estratégicas, aprendendo a medir resultados e a analisar dados.
  5. Manter formação contínua: acompanhar tendências como inteligência artificial e big data para não ficar ultrapassado. O sector valoriza profissionais que atualizam competências constantemente.

FAQ (Perguntas frequentes)

Um jornalista pode acumular com assessoria de imprensa?
Não. Ao invés do que sucede noutros países, como o Brasil, a legislação nacional portuguesa proíbe que jornalistas exerçam simultaneamente funções remuneradas de marketing, relações públicas ou assessoria de imprensa. Caso se confirme a acumulação ilegal de funções, o jornalista em causa pode ser alvo de um processo disciplinar; pode ocorrer a suspensão da carteira profissional; ou, no limite, o próprio cancelamento da carteira. A sanção depende da gravidade, da duração da situação e da eventual reincidência.

Qual é a formação recomendada?
A maioria das organizações que pretendem contratar assessores de imprensa, por norma, exige licenciatura em Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas ou Marketing. Em alguns casos, são admitidas outras áreas das Ciências Sociais quando há experiência relevante para o exercício das funções.

Quais são as principais responsabilidades diárias?
As funções quotidianas de um profissional de assessoria de comunicação combinam trabalho estratégico com execução operacional. O objetivo central consiste em assegurar que a informação institucional chega aos media de forma clara, relevante e credível.

Que impacto tem a digitalização na função?
A digitalização transformou profundamente a prática da assessoria de comunicação. O trabalho deixou de se centrar apenas na relação direta com jornalistas e passou a integrar uma dimensão tecnológica e analítica cada vez mais relevante. Hoje, o assessor de comunicação atua num ambiente mediático mais rápido, fragmentado e orientado por dados. Isso exige novas competências e uma adaptação constante às ferramentas digitais.


O que faz um assessor de imprensa?

O assessor de imprensa é peça decisiva na construção e proteção da reputação. Para além de redigir notas de imprensa, coordena a estratégia comunicacional, acompanha a agenda mediática, analisa dados e gere crises, atuando sempre de acordo com princípios éticos. Esta multiplicidade de funções evidencia que a profissão é distinta do jornalismo e exige independência e transparência.

Além disso, o ambiente digital obriga a integrar competências de inteligência artificial, optimização para motores de busca e comunicação multicanal na assessoria de imprensa. Formar‑se em áreas de comunicação, manter espírito crítico e atualizar conhecimentos são passos essenciais para uma carreira sólida. O caminho para o sucesso passa por combinar saber técnico com sensibilidade ética, contribuindo para uma informação precisa, honesta e útil a um público cada vez mais exigente.

Como o pode, então, um assessor de imprensa ajudar a sua empresa?

Num ambiente mediático cada vez mais rápido e exigente, a reputação de uma organização constrói-se e deteriora-se com facilidade. Nesse contexto, o assessor de imprensa assume um papel decisivo na forma como a empresa comunica, se posiciona e é percecionada pelo público.

Mais do que transmitir informação, o profissional em assessoria de imprensa atua como gestor da relação entre a organização e o espaço público. Quando a comunicação se limita a tentar influenciar percepções, a credibilidade tende a deteriorar-se. Pelo contrário, quando a assessoria assenta em transparência, rigor informativo e responsabilidade institucional, transforma-se num instrumento legítimo de diálogo entre a organização, os media e a sociedade.

É nessa fronteira entre comunicação estratégica e responsabilidade pública que reside o verdadeiro valor da assessoria de imprensa.


Helder Robalo

Sou o Helder Robalo, profissional de Assessoria de Imprensa, com percurso consolidado no Jornalismo e na Comunicação Institucional, iniciei a minha carreira no Diário de Notícias, onde permaneci até 2014. Entretanto enveredei pela área da Assessoria de Imprensa, onde somo já 11 anos de experiência!

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