A questão é recorrente, sobretudo entre micro e pequenas empresas. E, claro, é legítima. Durante anos, consolidou-se a ideia de que a Assessoria de Imprensa para Empresas é um recurso reservado a grandes marcas, multinacionais ou organizações com presença permanente nos media. Noutras situações, associa-se este serviço ao simples envio ocasional de Press Releases, normalmente ligados ao lançamento de um produto ou à realização de um evento.
O problema não está na dúvida. Está na leitura redutora do que é, na prática, a Assessoria de Imprensa enquanto instrumento estratégico de comunicação empresarial. E da importância que esta pode ter para as empresas e, em particular para as Pequenas e Médias Empresas (PME).
Assessoria de Imprensa não se resume ao envio de press releases
Reduzir a Assessoria de Imprensa ao envio de comunicados é ignorar a maior parte do seu valor.
Isto é, na sua essência, a Assessoria de Imprensa para Empresas trabalha a relação entre a organização e o espaço público, mediada pelo jornalismo. Assim sendo, isso implica análise de contexto, leitura do ambiente mediático, identificação de temas com relevância pública, escolha criteriosa do momento de comunicação e construção de mensagens que façam sentido para quem as recebe.
Comunicar bem não é comunicar mais. É comunicar quando existe razão, conteúdo e oportunidade.
Para empresas de menor dimensão, este princípio é ainda mais relevante. Os recursos são limitados. A exposição deve ser ponderada. A comunicação tem de ser precisa e orientada para objetivos claros.
O que pode a Assessoria de Imprensa fazer por micro e pequenas empresas?
Quando integrada numa estratégia coerente de comunicação empresarial, a Assessoria de Imprensa para Empresas gera benefícios concretos e mensuráveis para as PME.
Desde logo, credibilidade. Uma referência editorial num órgão de Comunicação Social, por exemplo, tem um peso que nenhuma mensagem promocional consegue replicar. Não é a empresa que se valida a si própria. É um terceiro, independente, que o faz.
Depois, visibilidade qualificada. O objectivo não é estar em todo o lado, mas marcar presença nos meios relevantes para o sector, o território ou o público da empresa. Até porque visibilidade sem critério raramente gera valor.
Há ainda um impacto directo na reputação. Empresas que comunicam de forma consistente, clara e responsável tendem a ser percebidas como mais sólidas, mais profissionais e mais fiáveis.
Por fim, existe um efeito interno muitas vezes subestimado. A Assessoria de Imprensa obriga a empresa a organizar o seu discurso, a definir prioridades e a distinguir o que é relevante do que é apenas ruído. Esse exercício é tão útil para dentro como para fora.
Comunicar menos, mas melhor: um princípio estratégico
Um dos equívocos mais comuns nas microempresas e PME é acreditar que comunicar implica presença constante. Nem sempre.
Comunicar em excesso, sem critério, dilui a mensagem, dispersa a atenção e pode mesmo comprometer a perceção de profissionalismo. Por isso, a Assessoria de Imprensa para Empresas atua de forma estratégica: identifica momentos-chave, seleciona temas com potencial noticioso e define ângulos que realmente façam sentido para os media e para os públicos relevantes.
Trata-se de uma lógica de precisão, não de volume. Cada ação de comunicação é pensada para gerar impacto, reforçar reputação e maximizar resultados, sem desperdício de recursos.
Para empresas de menor dimensão, esta abordagem é não só mais eficaz como também mais sustentável. Comunicar bem não depende do orçamento, mas da capacidade de priorizar, estruturar e direcionar mensagens com clareza e consistência.
No final, menos nem sempre é pouco: quando bem planeado, é mais, melhor e mais estratégico.
Assessoria de Imprensa integrada na comunicação empresarial
Importa esclarecer um ponto essencial. A Assessoria de Imprensa não substitui a estratégia de comunicação empresarial, mesmo nas PME. Antes pelo contrário: integra-a.
Por isso mesmo, a Assessoria de Imprensa deve funcionar em articulação com o Marketing, a Comunicação Institucional, a gestão de marca e, em muitos casos, a Comunicação Interna das PME. Não obstante, é um dos pilares que contribui para a coerência do discurso da empresa no espaço público.
Ignorar este pilar não impede uma empresa de existir. Mas limita seriamente a sua capacidade de ser reconhecida, compreendida e diferenciada.
O argumento dos céticos: “a minha empresa é pequena demais”
Este é um argumento recorrente junto de muitos gestores de PME. E que merece ser analisado com rigor, sem condescendência nem slogans fáceis.
A ideia de que apenas grandes empresas interessam aos media assenta numa premissa discutível: a de que o valor noticioso resulta da dimensão da organização. Na realidade, o jornalismo não se orienta por escalas empresariais, mas por critérios de relevância pública, atualidade, impacto, proximidade e diferenciação.
Muitas vezes, o problema não está na ausência de matéria-prima informativa, mas na incapacidade de a ler a partir de fora. O que é óbvio ou banal dentro da empresa pode ser relevante no contexto certo, para o público certo e no momento adequado.
É aqui que a Assessoria de Imprensa para Empresas se torna decisiva. Não para criar narrativas artificiais, mas para enquadrar a atividade real da organização à luz do interesse público. Um investimento, uma decisão estratégica, uma resposta a um problema concreto, uma inovação incremental ou uma prática diferenciadora podem ganhar significado quando colocados em contexto social, económico ou setorial.
Convém, no entanto, desmontar um equívoco adicional. Ter interesse mediático não significa ter direito à atenção dos media. A exposição editorial não é garantida nem automática. Exige critérios, disciplina e capacidade de aceitar que nem tudo é comunicável em qualquer momento.
A Assessoria de Imprensa não promete visibilidade permanente.
Promete, acima de tudo, discernimento. Ajuda a separar o que é relevante do que é apenas importante para dentro da empresa. A exposição pontual raramente produz resultados imediatos. Por isso, o valor constrói-se de forma cumulativa, pela consistência do discurso, pela coerência das mensagens e pela credibilidade gerada ao longo do tempo.
A questão, portanto, não é se a empresa é pequena demais para comunicar.
A questão mais incómoda é outra: se não comunica de forma estruturada, quem está a definir a percepção pública da sua empresa?
Na ausência de uma estratégia de comunicação nas PME, o silêncio também comunica. E, quase sempre, comunica mal.
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