A assessoria de imprensa na era da IA está a mudar a forma como as organizações constroem visibilidade, autoridade e reputação. Durante décadas, o principal objetivo de uma boa estratégia de assessoria de imprensa foi conseguir que uma história chegasse aos jornalistas certos e, através deles, aos públicos certos. Se a notícia fosse publicada num jornal, numa televisão, numa rádio ou num meio digital relevante, o objectivo estava cumprido.

Pelo menos, era assim que durante muitos anos pensámos. Mas a história já não termina necessariamente quando a notícia é publicada.

Hoje, esse percurso pode continuar muito para além da publicação. uma notícia, uma entrevista ou uma análise publicada num órgão de comunicação social pode tornar-se parte do conjunto de informação a partir do qual motores de pesquisa e sistemas de inteligência artificial, como o ChatGPT, constroem respostas sobre uma pessoa, uma empresa, uma instituição ou uma marca.

É aqui que a inteligência artificial começa verdadeiramente a interessar à Assessoria de Imprensa. Não porque o assessor tenha de passar a escrever para máquinas. Mas porque mudou uma das perguntas fundamentais da comunicação.

Não basta saber onde uma organização comunica. É cada vez mais importante perceber como a informação sobre essa organização é encontrada, interpretada e apresentada quando alguém procura respostas.

A transformação é suficientemente relevante para já estar a alterar a agenda do próprio sector. Em Julho de 2026, um estudo da Muck Rack revelou que 73% dos profissionais de relações públicas inquiridos consideram o Generative Engine Optimization, ou GEO, pelo menos algo importante para a sua estratégia de comunicação. No entanto, 29% afirmaram que ninguém é responsável por esta área nas suas organizações e 39% disseram não medir actualmente o sucesso do GEO.

A questão, portanto, já não é saber se a inteligência artificial vai afectar a comunicação.

A questão é perceber o que esta mudança significa para uma profissão que sempre viveu da capacidade de transformar informação em relevância, construir relações de confiança e conquistar atenção.


A mudança não começou na Assessoria de Imprensa. Começou na forma como procuramos respostas

Durante anos, a lógica dominante da pesquisa foi relativamente linear. Tínhamos uma pergunta. Introduzíamos palavras-chave num motor de pesquisa. Recebíamos uma lista de resultados. Abríamos páginas. Comparávamos fontes. Procurávamos a informação de que precisávamos.

Os sistemas de inteligência artificial generativa introduziram uma camada diferente nessa relação.

Em vez de apresentar apenas uma lista de resultados, podem sintetizar informação, relacionar fontes e produzir uma resposta aparentemente pronta.

Isto não significa que o Google tenha desaparecido ou que todos os utilizadores tenham passado a procurar informação através do ChatGPT. Seria uma simplificação. Significa, isso sim, que o ecossistema de descoberta de informação está a tornar-se mais diversificado.

As pessoas podem chegar a uma organização através de um artigo de jornal. Podem encontrá-la num motor de pesquisa. Podem descobrir um especialista numa rede social. Podem ouvir uma entrevista num podcast. Ou podem perguntar directamente a uma ferramenta de IA qual é uma determinada empresa, quem são os especialistas numa área ou quais são as organizações relevantes num sector.

A diferença é importante.

Num modelo tradicional de pesquisa, a visibilidade podia ser entendida sobretudo como a capacidade de aparecer perante o utilizador.

Num ambiente de respostas geradas por IA, existe uma segunda questão:

Que informação está disponível para ser encontrada e como será essa informação interpretada?

É uma mudança aparentemente pequena, mas com consequências profundas para a comunicação. Porque uma organização pode ter presença digital sem ter autoridade.

Pode publicar muito sem ser relevante. Pode aparecer muitas vezes sem ser reconhecida como uma fonte credível. E pode investir fortemente em conteúdos próprios sem que esses conteúdos sejam suficientes para construir a confiança que procura.

É aqui que a Assessoria de Imprensa volta a ganhar uma dimensão estratégica.


Durante anos, medimos a Assessoria de Imprensa pelo espaço conquistado. Hoje é preciso olhar também para o que acontece depois

A cobertura mediática sempre teve vários níveis de valor.

Uma notícia num meio nacional não vale exactamente o mesmo que uma referência num pequeno órgão sem relevância para o público em causa. Uma entrevista de fundo não produz necessariamente o mesmo efeito que uma breve menção. Uma peça que apresenta um especialista como fonte de informação pode ter um impacto reputacional muito diferente de uma notícia que apenas reproduz uma informação institucional.

Por isso, a avaliação da Assessoria de Imprensa nunca deveria ter sido reduzida ao número de recortes.

O ambiente de inteligência artificial na Comunicação torna essa distinção ainda mais importante.

A pergunta já não deve ser apenas:

Quantas notícias conseguimos?

Deve também ser:

  • Que informação estamos a colocar no espaço público?
  • Em que fontes?
  • Com que contexto?
  • Com que consistência?
  • Que especialistas estamos a posicionar?
  • Que associação estamos a construir entre a organização e os temas em que pretende ter autoridade?

Esta preocupação está no centro do trabalho desenvolvido pela PRCA sobre medição da visibilidade em respostas geradas por IA. O guia publicado em 2026 propõe acompanhar indicadores como visibilidade da marca, prompts, citações, sentimento, share of voice e presença de concorrentes.

A distinção é particularmente importante. Não basta olhar para a resposta de uma ferramenta e concluir que uma marca está ou não está visível.

É necessário compreender o ecossistema de informação que está por trás dessa resposta.

E é precisamente aí que entra o trabalho de comunicação.


O GEO não é simplesmente SEO com outro nome

Generative Engine Optimization tornou-se uma das expressões mais utilizadas quando se fala de visibilidade em IA.

O conceito é relativamente intuitivo: compreender e melhorar a forma como uma organização, pessoa, produto, serviço ou tema aparece nas respostas produzidas por sistemas de IA generativa.

Mas existe um risco na forma como este conceito está a ser apresentado.

Transformar GEO numa espécie de “SEO para ChatGPT” é uma simplificação que pode conduzir as organizações na direcção errada.

SEO continua a ser relevante. A capacidade de uma página ser encontrada, compreendida, rastreada e correctamente estruturada continua a ter importância.

Mas a visibilidade em IA não depende apenas da optimização de uma página.

Depende também do ambiente informativo em que uma organização existe.

  • Quem fala sobre ela?
  • Que meios de comunicação a citam?
  • Que especialistas estão associados à sua actividade?
  • Que informação independente existe?
  • Que estudos são referidos?
  • Que entrevistas foram publicadas?
  • Que dados estão disponíveis?
  • Que reputação foi construída?
  • Que informação contraditória ou desactualizada permanece online?

É por isso que o GEO interessa à Assessoria de Imprensa e à utilização da inteligência artificial na comunicação. Não porque o assessor de imprensa tenha de se transformar num especialista técnico em algoritmos. Mas porque uma parte importante do trabalho Assessoria de Imprensa sempre consistiu em construir e fortalecer o ambiente informativo em torno de uma organização.


A notícia publicada não desaparece quando deixa de estar na primeira página

Na Assessoria de Imprensa, e nas suas relações com os Media, existe uma tendência para avaliar uma notícia pelo impacto imediato.

  • Quantas pessoas a viram?
  • Quantas visitas gerou?
  • Quantas interacções provocou?
  • Quantos jornalistas responderam?

Esses indicadores continuam a ser importantes.

Mas uma notícia também pode ter uma vida mais longa. Pode ser encontrada meses depois. Pode ser utilizada como referência por outro jornalista. Pode ser citada numa investigação. Pode reforçar a associação de um especialista a determinado tema. Pode até ajudar a contextualizar uma organização perante alguém que nunca tinha ouvido falar dela.

E pode fazer parte do conjunto de fontes que diferentes sistemas de pesquisa e inteligência artificial encontram quando procuram informação sobre aquele assunto.

A investigação da Muck Rack oferece aqui um dado particularmente relevante. No estudo publicado em Julho de 2026, cerca de 99% das citações observadas em respostas de IA provinham de fontes não pagas. Além disso, 55% dos profissionais inquiridos apontaram a conquista de cobertura em publicações de elevada autoridade como uma das tácticas mais utilizadas para aumentar a visibilidade.

É importante não transformar estes números numa regra universal.

Os resultados dependem das plataformas, das perguntas, dos sectores, do período analisado e da metodologia utilizada. A própria Muck Rack inquiriu 1.115 profissionais de PR entre Maio e Junho de 2026, tendo considerado 971 respostas qualificadas.

Ainda assim, a tendência é suficientemente expressiva para merecer atenção.

A comunicação conquistada através de terceiros continua a ter um peso relevante num ambiente em que as pessoas começam a utilizar sistemas de IA para procurar respostas.

E isto é uma notícia importante para a Assessoria de Imprensa.


A Assessoria de Imprensa na era da IA pode produzir conteúdo. Mas não sabe, por si só, o que merece ser notícia

A discussão sobre o futuro da profissão exige, por isso, uma leitura mais concreta do que está efectivamente a mudar. O recurso à inteligência artificial na comunicação já está a transformar algumas tarefas do trabalho de assessoria de imprensa, sobretudo aquelas que envolvem processamento e organização de informação.

Monitorização de meios, clipping, transcrição, síntese de informação, análise de grandes volumes de dados e preparação de primeiros rascunhos podem ser realizados de forma mais rápida com recurso a ferramentas de IA. A análise da Agenzia Spada sobre a transformação do trabalho dos gabinetes de imprensa identifica precisamente esta evolução, apontando para uma utilização da IA sobretudo na aceleração de tarefas operacionais e na libertação de tempo para actividades de maior valor estratégico.

Os dados da Muck Rack apontam no mesmo sentido: 61% dos profissionais de PR inquiridos esperam que a inteligência artificial e a automação ganhem importância nos próximos cinco anos.

A questão central está, portanto, menos na capacidade de a IA executar determinadas tarefas e mais naquilo que continua a exigir conhecimento, experiência e capacidade de decisão.

Uma ferramenta pode analisar centenas de notícias, mas é o profissional que tem de interpretar essa informação e perceber que tendências são relevantes para o cliente. Pode sugerir títulos ou produzir um primeiro rascunho, mas cabe ao assessor avaliar se existe uma história com verdadeiro interesse jornalístico, qual é o ângulo mais adequado e que informação deve sustentá-lo.

É essa distinção que importa preservar. A inteligência artificial pode acelerar o processamento da informação e tornar algumas operações mais eficientes. A relevância jornalística, o conhecimento do contexto, a relação com os media e a decisão sobre o que merece ser comunicado continuam a depender, em grande medida, do trabalho profissional.


Quanto mais fácil for produzir informação, mais difícil será conquistar atenção

Existe aqui um paradoxo que merece mais atenção.

A inteligência artificial tornou a produção de conteúdos significativamente mais barata e rápida. Isso significa que haverá mais conteúdos.

Muito mais.

Empresas, instituições, profissionais e organizações podem produzir comunicados, artigos, publicações, newsletters, guiões, entrevistas simuladas e dezenas de outras peças de comunicação em poucos minutos.

Mas a atenção do público não aumentou na mesma proporção. Nem a disponibilidade dos jornalistas. Nem a capacidade das redacções. Aliás, em Portugal, os recursos jornalísticos na Comunicação Social, em particular fora do Grande Porto e da Grande Lisboa, são cada vez mais escassos.

De acordo com o “Inquérito Nacional às Condições de Vida e de Trabalho dos Jornalistas em Portugal”, desenvolvido pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ), em parceria com a Casa da Imprensa e a Associação Portuguesa de Imprensa (API), cerca de 54% estão inquietos com a precarização da produção jornalística atual; enquanto 48% sentem-se inseguros com a sua situação precária.

Num inquérito elaborado pela professora catedrática do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho Felisbela Lopes, “muitos jornalistas referem que a profissão é pouco atrativa, levando à saída dos mais experientes”, estando a precariedade “também associada à redução do número de profissionais nas redações” e a uma fragilização da independência editorial, como citado na notícia do Obsrevador de 7 de abril de 2026.

Na realidade, os dados da Muck Rack mostram precisamente a dificuldade crescente de conquistar cobertura: 49% dos profissionais inquiridos dizem contactar mais de 20 jornalistas por campanha, enquanto 71% referem baixas taxas de resposta dos jornalistas.

Isto ajuda a explicar uma das consequências mais importantes da IA para a Assessoria de Imprensa: o valor da quantidade tende a diminuir quando qualquer pessoa consegue produzir quantidade.

Se todos conseguem gerar dez comunicados, dez propostas de entrevista e dez artigos em poucos minutos, produzir dez textos deixa de ser uma vantagem competitiva.

A diferença passa a estar naquilo que a máquina não consegue garantir por si própria:

  • relevância;
  • contexto;
  • originalidade;
  • credibilidade;
  • acesso;
  • confiança;
  • timing;
  • capacidade de julgamento.

É também por isso que a relação com os jornalistas não perde importância.

Pode, pelo contrário, tornar-se ainda mais valiosa.


A relação com os jornalistas continua a ser uma vantagem humana

A inteligência artificial pode ajudar a identificar jornalistas, analisar os temas que acompanham, organizar bases de contactos e até adaptar uma proposta ao trabalho de cada profissional. Mas a relação com os media não se constrói através de uma base de dados.

Um jornalista reconhece uma fonte que domina o assunto, valoriza quem respeita o seu tempo e percebe rapidamente quem só estabelece contacto quando tem algo verdadeiramente relevante para comunicar. Também distingue uma proposta pensada para o seu trabalho de uma mensagem comercial enviada de forma indiferenciada para dezenas de contactos.

Essa dimensão relacional não desaparece com a inteligência artificial. Pelo contrário, pode tornar-se ainda mais importante num ambiente em que a produção de conteúdos é cada vez mais rápida e acessível.

Quanto mais fácil for produzir e distribuir informação, maior será a importância de saber seleccionar o que merece chegar a um jornalista, compreender o seu contexto editorial e estabelecer uma relação profissional baseada em relevância e confiança.

A própria discussão sobre IA na profissão, desenvolvida pela Muck Rack no seu guia sobre inteligência artificial em PR, aponta para a utilização da tecnologia como complemento ao trabalho dos profissionais, e não como substituição automática da sua experiência, julgamento e relações.

A inteligência artificial pode ajudar o assessor a chegar mais depressa à informação.

Não pode, por si só, construir a confiança que torna uma relação profissional sustentável.

Assessoria de Comunicação e Relações com os Media: descubra como uma estratégia eficaz reforça a reputação e a credibilidade da organização.

O verdadeiro valor de uma notícia pode estar para além da audiência imediata

Uma das mudanças mais relevantes está na forma como avaliamos o valor de uma cobertura mediática.

Durante muito tempo, a avaliação da Assessoria de Imprensa esteve muito ligada ao alcance: quantas pessoas leram uma notícia, ouviram uma entrevista ou viram uma reportagem. Esses indicadores continuam a ser importantes, mas já não são suficientes para compreender o valor de uma presença nos media.

É preciso considerar também o contexto e a autoridade que essa presença pode ajudar a construir.

Uma entrevista pode não gerar milhares de cliques e, ainda assim, contribuir para posicionar um especialista como uma fonte relevante num determinado tema. Uma reportagem pode ter um impacto limitado nas redes sociais e, ainda assim, permanecer como uma referência credível sobre uma organização ou uma questão específica. Da mesma forma, uma análise publicada num meio especializado pode alcançar uma audiência mais reduzida, mas particularmente relevante para o sector ou para os públicos que se pretende atingir.

O valor da comunicação não está, por isso, apenas na quantidade de pessoas expostas a uma mensagem. Está também na credibilidade da fonte, no contexto editorial em que a informação é publicada e na associação que essa cobertura estabelece entre uma organização, os seus especialistas e os temas em que pretende ser reconhecida.

Esta dimensão ganha uma importância adicional num cenário de pesquisa generativa. O estudo da Muck Rack realizado em 2026 identificou uma forte predominância de fontes não pagas entre as citações analisadas em respostas de IA e apontou a conquista de cobertura em publicações de elevada autoridade como uma das tácticas mais utilizadas pelos profissionais de PR para reforçar a visibilidade.

Isto não significa que uma notícia publicada num determinado meio vá automaticamente ser citada pelo ChatGPT, pelo Gemini ou por qualquer outra ferramenta de IA. A relação não é directa nem garantida.

Significa, antes, que a informação credível publicada por terceiros continua a integrar o ambiente informativo a partir do qual pessoas e sistemas podem descobrir, verificar e contextualizar uma organização.

É essa dimensão que torna a cobertura mediática potencialmente mais duradoura do que o seu impacto imediato pode fazer supor.


A nova pergunta para a comunicação: o que acontece quando alguém pergunta por nós?

É aqui que a estratégia começa a ganhar uma dimensão diferente. Mais do que perguntar simplesmente “quem é a nossa empresa?”, uma organização pode testar como é representada quando alguém procura informação sobre os temas em que pretende ser reconhecida.

Que especialistas são associados a determinada área? Que empresas actuam num sector específico? Quem apresenta soluções para um determinado problema? Que organizações são referidas quando se procura experiência num determinado domínio? Que profissionais surgem como fontes sobre um tema?

As respostas podem revelar aspectos que uma pesquisa tradicional nem sempre torna imediatamente evidentes. Uma organização pode perceber que não é mencionada, que aparece associada a informação desactualizada ou incompleta, que os seus especialistas não estão suficientemente relacionados com os temas que dominam ou que outras entidades ocupam um espaço de autoridade que também pretendia conquistar.

Pode, inclusivamente, encontrar informação incorrecta que nunca tinha identificado.

Este tipo de análise não deve, contudo, ser confundido com um ranking absoluto. Não existe uma posição universal de “número um no ChatGPT”, nem uma fórmula que determine de forma permanente quais as organizações que serão mencionadas numa resposta. Os resultados podem variar consoante a pergunta, a plataforma, as fontes disponíveis e o momento em que a pesquisa é realizada.

O interesse deste exercício está, por isso, menos em procurar uma posição e mais em perceber como uma organização está a ser encontrada, descrita e contextualizada no novo ambiente de pesquisa.

As respostas podem variar entre plataformas, perguntas, momentos e contextos. A PRCA recomenda uma abordagem estruturada à medição do GEO, acompanhando variáveis como prompts, citações, sentimento, share of voice e presença dos concorrentes.

Por isso, a pergunta relevante não é: “A minha marca aparece no ChatGPT?”

É:

“Quando alguém faz uma pergunta relevante para a minha actividade, que representação da minha organização encontra?”

Esta é uma pergunta de comunicação. É uma questão central na nova Assessproa de Imprensa na era da IA.

Escolher um assessor de comunicação: uma decisão estratégica com impacto na reputação, visibilidade e capacidade de resposta da organização.
Escolher um assessor de comunicação: uma decisão estratégica com impacto na reputação, visibilidade e capacidade de resposta da organização.

A reputação passa a ter uma nova camada: a visibilidade em IA

Durante décadas, a reputação de uma organização foi construída a partir de uma combinação de experiência, comportamento, comunicação e percepções acumuladas ao longo do tempo. A inteligência artificial na Comunicação não altera essa lógica, mas acrescenta uma nova dimensão: a forma como essa reputação é encontrada, interpretada e representada num ambiente de pesquisa cada vez mais mediado por sistemas generativos.

Um sistema de IA não estabelece com uma organização a mesma relação que um jornalista que acompanha o sector há dez anos. Não conhece pessoalmente os seus porta-vozes, não esteve presente nas suas conferências, não acompanhou directamente a sua actividade nem viveu as diferentes etapas de uma crise. Ou seja, não constrói as mesmas relações com os Media e com os stakeholders que um Assessor de Imprensa.

Trabalha a partir da informação disponível e das relações que consegue estabelecer entre diferentes fontes.

É por isso que a consistência da informação ganha particular importância.

Se o website apresenta uma organização de uma determinada forma, os media de outra, as redes sociais de uma terceira e as fontes independentes de uma quarta, essa dispersão pode dificultar uma representação coerente. Não significa que todas as mensagens tenham de ser iguais. Significa que deve existir uma identidade reconhecível e sustentada por informação consistente.

É também nesta perspectiva que a discussão da AMEC sobre GEO ganha relevância: a visibilidade em IA não deve ser analisada isoladamente, mas em articulação com o ambiente informativo e reputacional que existe em torno de uma organização: dos meios de comunicação aos conteúdos próprios, passando pelos especialistas e pelas restantes fontes públicas.

O desafio não está em controlar todas essas fontes, algo que nenhuma organização consegue fazer. Está em garantir que existe informação suficiente, sólida, coerente e verificável para que, quando uma organização é procurada, possa ser compreendida com rigor.

Na era da IA, a reputação não passa apenas por aquilo que uma organização diz sobre si própria. Passa também pela informação que existe sobre ela e pela forma como essa informação é encontrada e contextualizada.


O risco de começar a comunicar para o algoritmo

Toda esta transformação da inteligência artificial na comunicação encerra também um risco: transformar a estratégia numa corrida permanente à optimização.

Foi assim com o SEO e pode acontecer o mesmo com o GEO. A procura por maior visibilidade em IA pode levar algumas organizações a publicar dezenas de páginas sem verdadeiro valor, produzir conteúdos artificiais, multiplicar informação redundante ou procurar fórmulas para influenciar a forma como os sistemas generativos apresentam uma marca.

É precisamente aqui que uma estratégia de comunicação séria deve estabelecer limites.

O objectivo da Assessoria de Imprensa não pode passar a ser simplesmente conseguir que uma organização apareça mais vezes nas respostas de IA. A visibilidade em IA só tem valor quando assenta em informação relevante, exacta e credível.

A própria PRCA, no seu guia sobre medição de GEO, coloca a questão neste enquadramento: medir a presença de uma organização em respostas geradas por IA implica olhar para indicadores como visibilidade, citações, sentimento e presença de concorrentes, mas também compreender a qualidade da informação que sustenta essa presença.

É uma distinção importante para a própria reputação digital.

Uma estratégia de GEO não deveria ensinar uma organização a parecer mais credível do que é. Deveria contribuir para que a informação verdadeira sobre aquilo que faz seja mais acessível, verificável e compreensível.

É aqui que inteligência artificial na comunicação e estratégia de comunicação se encontram. A optimização pode ajudar a melhorar a visibilidade. A comunicação tem de assumir também a responsabilidade pelo conteúdo dessa visibilidade em IA.

E essa diferença é particularmente importante para a Assessoria de Imprensa: mais do que procurar aparecer nos sistemas de IA, trata-se de construir, através dos media e de outras fontes credíveis, um contexto informativo que permita compreender uma organização com rigor.


O futuro da Assessoria de Imprensa não está em produzir mais. Está em decidir melhor

Esta talvez seja a principal consequência da inteligência artificial na comunicação e no desenvolvimento pleno da Assessoria de Imprensa.

Se a tecnologia consegue acelerar a produção, o valor humano desloca-se para a decisão.

  • Que história merece ser contada?
  • Qual é o ângulo?
  • Qual é o momento?
  • Quem deve falar?
  • Que jornalista deve receber a informação?
  • Que dados sustentam a afirmação?
  • Que perguntas difíceis podem surgir?
  • Que informação falta?
  • Que risco reputacional existe?

E, talvez a pergunta mais importante de todas:

É mesmo necessário comunicar?

Esta última questão é particularmente relevante num ambiente em que produzir conteúdo se tornou tão simples.

A Assessoria de Imprensa não existe para preencher espaços. Existe para encontrar relevância. Uma organização não precisa necessariamente de dizer mais. Precisa de ter algo que mereça ser dito. E precisa de saber dizê-lo no momento certo, às pessoas certas e através das fontes certas.

Inteligência Artificial na Comunicação: descubra o que está realmente a mudar e o que continua a depender do fator humano.

A inteligência artificial não elimina a Assessoria de Imprensa. Torna mais visível o seu verdadeiro valor

É uma das conclusões que começa a ganhar forma à medida que a inteligência artificial entra no trabalho quotidiano da comunicação: quanto mais fáceis se tornam determinadas tarefas, mais evidente fica o valor daquilo que exige experiência, contexto e capacidade de decisão.

Uma boa Assessoria de Imprensa, e as suas relações com os Media, nunca se resumiu à produção de comunicados. Envolve compreender uma organização, conhecer os seus especialistas, acompanhar o contexto, manter relações profissionais profícuas com os jornalistas, identificar oportunidades, antecipar riscos e encontrar o ângulo que transforma uma informação interna numa história relevante para o público.

A inteligência artificial pode apoiar muitas destas etapas. Pode acelerar tarefas repetitivas, analisar grandes volumes de informação, identificar padrões, detectar tendências e apoiar a preparação de conteúdos. Pode tornar o trabalho mais eficiente e libertar tempo para actividades de maior valor estratégico.

Mas existe uma diferença entre apoiar o processo e tomar as decisões que lhe dão sentido.

Uma ferramenta pode ajudar a encontrar informação, mas não determina por si só o que é relevante para uma organização. Pode sugerir um ângulo, mas não conhece necessariamente o contexto em que esse ângulo será recebido. Pode produzir um texto, mas não transforma automaticamente essa informação numa notícia com interesse jornalístico.

E pode contribuir para aumentar a visibilidade de uma organização, sem que essa se traduza, por si só, em autoridade ou reputação.

É precisamente aqui que a Assessoria de Imprensa na era da IA mantém a sua dimensão estratégica. A tecnologia pode acelerar o trabalho de comunicação. Continua a ser necessária experiência profissional para decidir o que merece ser comunicado, como deve ser enquadrado e que valor pode acrescentar à reputação de uma organização.

No fundo, quanto mais fácil se torna produzir informação, mais importante se torna saber distinguir informação de relevância.


A Assessoria de Imprensa já não termina nos media

Durante décadas, conquistar uma notícia podia ser entendido como o ponto de chegada de uma operação de comunicação. Hoje, é mais útil vê-la como um ponto de passagem e ter em conta a própria visibilidade em IA.

A informação sai de uma organização através da assessoria de imprensa, chega a um jornalista, transforma-se numa notícia e pode continuar a circular por diferentes espaços digitais. Pode ser lida, citada, partilhada, indexada, relacionada com outras fontes e encontrada, meses ou anos mais tarde, por pessoas que nunca tinham tido contacto com a organização.

Num ecossistema em que os sistemas de inteligência artificial assumem um papel crescente na pesquisa e na síntese de informação, essa circulação ganha uma nova dimensão. Mas é importante manter alguma prudência: uma notícia publicada não garante a presença numa resposta do ChatGPT, tal como uma referência num jornal não determina aquilo que um sistema de IA irá apresentar.

O GEO também não substituiu o SEO, as relações com os media ou a estratégia de comunicação. O que mudou foi a dimensão do percurso que uma informação pode fazer depois de ser publicada.

A informação que uma organização deixa no espaço público passou a ter mais percursos possíveis.

É por isso que a Assessoria de Imprensa não perdeu relevância. Mudou o contexto em que exerce a sua função.

Num ambiente em que qualquer organização pode produzir grandes volumes de conteúdos em poucos minutos, a vantagem não estará necessariamente em comunicar mais. Estará em produzir informação relevante, credível e suficientemente sólida para merecer ser encontrada, citada e considerada.

E, à medida que a inteligência artificial assume um papel maior na descoberta e contextualização da informação, a questão deixa de ser apenas conseguir aparecer. Passa também por perceber com que informação, através de que fontes e dentro de que contexto uma organização é apresentada.

É aqui que a assessoria de imprensa na era da IA recupera aquilo que sempre esteve no centro da sua função: não produzir informação por produzir, mas identificar aquilo que merece ser notícia, encontrar o enquadramento adequado e construir as condições para que essa informação seja reconhecida como relevante e credível.

A inteligência artificial pode ajudar a comunicar mais depressa. A Assessoria de Imprensa continua a ser necessária para decidir o que merece ser comunicado. E para garantir que existe substância por detrás daquilo que se diz.


Helder Robalo

Sou o Helder Robalo, profissional de Assessoria de Imprensa, com percurso consolidado no Jornalismo e na Comunicação Institucional, iniciei a minha carreira no Diário de Notícias, onde permaneci até 2014. Entretanto enveredei pela área da Assessoria de Imprensa, onde somo já 11 anos de experiência!

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